quinta-feira, 14 de junho de 2007

Gabí, um lápis e nossas conchas

Gabí riu com minhas conchas,
Se viu em conchas calcificadas e adornadas num pescoço divino.
Gabí
nem sabe que a poesia dela tem muito a ver comigo, assim como as conchas que povoam mares e mares nos mundos.


A praia onde Gabí mora não é de areia, é de sentimentos e sentidos.A praia de Gabí é infinita, do tamanho dos sentimentos dessa poetinha. O sentimento de poetinha vai além de onde a vista alcança, transpassa a cerca. A cerca de Gabí não é de arame, é de conchinhas flutuantes, que vão e voltam...o espaço de Gabí não se mede com régua, a régua que mede Gabí
não é de números: é de letras garrafais !

Gabí tem dois olhos falantes: eles me dizem que um colar de conchinhas, em Gabí
vai torná-la diferente, uma diferença sutil, onde só as letrinhas que ela sussurra pro
Octávio Castell poderiam traduzir !

domingo, 10 de junho de 2007

entre uma lenda e um encanto


Um colar de contas
Contas que vieram do mar
Um conto sobre o mar, sobra as contas, sobre os dragões que firulam nos confins...do mar!

Conto uma estorinha sobra a lenda do dragão que assobiava contas que vieram do mar.
O mar que encantou a tantos e nem faz parte de mim.

Não há dragões no mar, conchas é o que há.

um mar de conchas se atracam na areia, que se enroscam no chão...que piso!
As conchas se enroscam no pescoço da musa, que a fazem mística e diferente de tudo que povoam nos mares, nos contos homéricos do homem que mata e fere o dragão.Do homem que sofre ferido no peito, pelo fogo que sai dos olhos da amada musa...que pisa na areia,que esmaga as conchas e carrega entre as coxas um filete da fúria ardente do duelo travado entre o céu e a areia!!

sexta-feira, 1 de junho de 2007




Um leão por dia,
Sempre terá um dia à frente...leões se extinguirão !

Extinguiremos também. No rumo em que vamos, ...ploft !

E daí? Que é que o leão tem a ver com isso ? essa figura de linguagem retrata bem (demais) o aperreio nosso de cada dia, nessa eterna luta entre o homem X dia, versus o tempo, versus a lida, versus os versos nossos de cada dia, é o mesmo que o pedreiro que tapa com cimento aquele buraquinho no rodapé da parede, causado pelo sal . Na hora dá alivio (ufa! Um buraquinho a menos) depois...ploft! um buraquinho a mais !

Os buraquinhos que driblamos dia por dia, são os leões de garras e dentes tenebrosos que fugimos ( ou não ) rumando pra eternidade ( digo: paternidade ) pois somos criador dessas lamurias eternas que consomem a nós mesmos cada santo dia. (**como diz a musiquinha do peixinho no desenho animado: ...continue a nadar, continue a nadar!)

O sorriso só não basta, é preciso injetar endorfina a cada instante. E a fórmula? Putz, engoli ! O papelzinho é degradável, não sai na merda...quem sabe vire adubo, nutra uma flor belíssima, encante meu dia e me faça lembrar de como tudo começou ? essa bendita flor
é fonte da inspiração que injeta a tal endorfina que aclara meu sorrisinho de cada dia.

Quanto aos leões, vou trocar de bicho, vou matar um peixinho animado a cada dia...pra saciar minha fome, ainda resta infinitos mares profundo a desbravar!



**foto: menino de rua desafia policia por evandro Monteiro.

quinta-feira, 24 de maio de 2007


Entre tantas opções de caminho, preferi seguir o rumo óbvio: a trilha do sol Zinho!

Entre um gole ou outro optei pela ilusão do ser autentico. Atravessei nevoeiros brabos, minha miopia me guiou. Deixei trapos no caminho.

Em breves paradas, joguei idéias boas fora, aceitei ser um ser sozinho.

Minhas moléculas foram fundidas em outras moléculas, mais um ser solzinho, a trilha segue em rumo de um mesmo caminho.

Vem vida, beba-me à sombra do solzinho, sou teu embora viva às turras com um universo sozinho!

sexta-feira, 18 de maio de 2007



Estou feliz!


um porre de tinto me deixa feliz.um tanto de riso diz que sou feliz!


nada contra a tristeza, ela tem que existir pra eu ser feliz!




Acordei um tanto azedo, me tornei flor em jasmim, pra estar feliz aquí.




Me acompanhem, me sigam...não é todo dia que sou feliz assim!


quinta-feira, 17 de maio de 2007

Solo le pido a dios!!




Solo le pido a dios

Que meus dias não sejam povoados pelos maus pensamentos !

Que minhas mágoas não sufoquem meus risos !

Que minha inocência fique imune à ambição
.

Solo le pido a dios

Espaço pra mostrar minhas idéias !
Vontade de servir sem limites !
Um caminho que me leve ao bem .

Solo le pido a dios

Trabalho digno e honesto !
Convivência pacifica e sincera !
Saúde no corpo, mente e espírito .

Solo le pido a dios

Dias completos: com manhãs claras, tardes de luz e noites amenas !

Igualdade entre as pessoas, velhos e jovens interagidos, homens e mulheres na mesma sintonia!

A certeza de um rumo, uma eternidade de lugares a desbravar, um porto seguro em cada lugar !

Solo le pido a dios

Calmaria depois da tempestade.

Um abraço sincero, daquele em que menos espero.

Um sorriso maroto em meus lábios, que acalanta meus desafetos !!


Solo le pido a dios:

obrigado !!
**foto mãos de café - Marcos Piffer www.olhares.com

terça-feira, 8 de maio de 2007

É dia de peixada !

É dia de peixada !

Chegam-se os amigos um por um,
Esse ritual festivo se repete todo ano:
peixada lá em casa!
Juntam-se uns instrumentos percurssivos ( pandeiro, triangulo, zabumba...) uma viola afinadíssima (até a sexta dose) um monte de tocadores aloprados e barulhentos e tome-lhe zuada!

Abre-se um tinto uruguaio, hummm...beleza!
Cervejinha estalando no freezer, véu de noiva mofada.

Tem caninha da chapada ( herança de lençóis ) lá do rio das contas.
Tem caju fresquinho, com um aroma genial, dá vontade de tomar uma.
Alguns preferem Domecq com limão e mel, mel baiano é mais doce ( daqueles espremidos ainda na mata, com um cheirinho delicioso de fumaça de umburana ),
aumentam-se as risadas, chega a molecada mais nova roncando de fome!
Atacam um peixinho na abóbora ( deixa um pouquinho pra mim, ô usurento !) Tá bom demais esse prato.
Qual a receita? Simples: Pacamã salgada e seca, Pirá, Carí em grande quantidade ( metade da receita é feita com carí e tilápia em cubinhos).
Tempere o carí e o pirá na véspera para pegar gosto( com mostarda moída, louro em pó e cuminho).
Jogue tudo na panela com muito tomate, pimentão e cebola.
O sal é o da pacamã mesmo.
Cozinhe algumas abóboras, retirando as sementes e o miolo, lambuze-as com queijo cremoso e encha as abóboras com essa peixada maravilhosa
( tem gente que repete o prato umas cinco vezes e tem de sair rebocado pra casa) e pode se lambuzar, não dá pra quem quer!

Nesse dia, boto pra fora meus grilos e minhocas reprimidas, passei uma régua definitiva em 2006, meu reveillon começa na peixada de maio...igual cantiga de grilo!

Tem uma coisa legal e gratificante: tem o amigo flamenguista que deixa de assistir à final do campeonato, só pra zoar na peixada;

tem a amiga que elaborou um molhinho de pimenta artesanalmente pra ficar bem bonito ( gastou pelo menos duas horas nesse ritual uma semana antes) pra presentear o amigo aqui , presente sublime!
Tem a amiga que deu bolo no namorado ciumento, só pra ficar mais à vontade !
é muito bom isso tudo, é muito bom ter amigos e amigas e papagaios falantes e manga madura caindo do pé, bem madurinha pra virar batidinha!

Quem não foi esse ano, irá no próximo...quem esteve comigo na peixada, riu muito e voltou feliz pra casa...ANO QUE VEM, TEM MAIS!


quinta-feira, 3 de maio de 2007

lá no pé da serra



O mar não é minha praia!

Sertão de tantas cores ( do cinza ao pastel ), da chuva que ¨enverdesse¨ tudo, da transfiguração.

¨Sertãonejo¨, sertãozinho gigante, calor ofuscante em tudo...na gente, ¨braveja¨ gente !
tem uma arma nua nos confins da caatinga. Tem tempo de plantio e tempo de estio, tem macaxeira, milho, abóbora e uvas, mandioca crua mata!



A corrupção nossa de cada dia mata muito mais que o cianídrico que ¨fofa¨ a barriga do homem gabiru.

O sertão é um imenso inferno, onde pisam-se nas brasas quando acaba o inverno !


O sertão não é uma brasa, é uma imensa fornalha onde se queimam os nossos males a caminho da purificação no céu!!



**foto: meus olhos em um¨ por do sol em Exu-PE¨, no pé da serra em dezembro de chuvas.